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A delícia de viajar sozinha e não se sentir só

Este mês faz um ano que decidi por meus pés na estrada de uma maneira que nunca havia feito antes. Coloquei meu mochilão nas costas e parti sozinha para uma trip de 15 dias pelo Peru e Bolívia. O plano inicial incluía o Chile, a ideia era terminar a viagem no estonteante Deserto do Atacama. Esse roteiro aliás, é feito por muitos viajantes, não pensei nele do nada. Mas viajar sozinha tem dessas, você escolhe o seu caminho e decide se quer mudá-lo assim mesmo, na hora, como eu fiz.

Quero dividir com você o que foi essa experiência na minha vida e, quem sabe, te encorajar a fazer o mesmo. O que aconteceu foi o seguinte: estava namorando e  fazendo planos para passar nossas férias em algum lugar do Brasil juntos, no mês de junho. O destino escolhido foi Itacaré, na Bahia. Até que poucas semanas antes das férias meu namoro acabou e eu me vi sem rumo.

Bastante triste e não vendo graça naquelas férias que se aproximavam, decidi que não ia desperdiçar meus 30 dias lamentando a situação. Eu tinha que fazer algo para tentar esquecer a tristeza. E quer algo melhor pra isso do que viajar, minha gente? Beleza, eu iria viajar de qualquer jeito. Não tinha nenhuma amiga entrando de férias junto comigo, não conhecia ninguém do meu círculo social se jogando nessa aventura, então decidi que iria sozinha mesmo e pronto.

Não precisei nem pensar muito para onde iria, porque sempre fui louca para conhecer o Peru e Machu Pichu, então fiz uma pesquisa prévia na internet para decidir meu roteiro e quanto iria gastar em média, comprei minha passagem, arrumei a mochila e parti.

Confesso que no caminho de ida ainda me batia uma tristeza, a cabeça ainda cheia com a decepção, mas sempre mentalizando coisas boas. Eu sabia que aquela viagem iria mudar algo em mim. Foi entrar no avião para sentir isso. Quando cheguei a Cusco, então, tive a certeza. Eu que não sou boba nem nada, pesquisei logo um hostel animado para ficar, porque queria viajar sozinha, mas não sentir solidão. Não acho que viajar só e estar só, no seu íntimo, também seja um problema. É que eu não queria dessa forma. Queria fazer amigos, interagir com culturas e pessoas diferentes, um dos meus maiores prazeres. Então fiz meu check in no Loki Hostel Cusco e acertei muito na escolha.

Logo no primeiro dia vi que tinham alguns brasileiros no bar do hostel e percebi uma oportunidade boa para me enturmar com a galera. Estava passando uma partida de futebol entre Brasil x Peru, aí então vi a oportunidade perfeita. Aliás, a dica que eu dou é essa, mesmo que você seja dessas pessoas que não gostam muito de encontrar conterrâneos quando viaja para fora, tente sempre se aproximar de brasileiros quando viaja sozinha, porque sim, eles estão em todos os lugares, e são geralmente mais abertos, e claro, brasileiro com brasileiro se entende.

Primeira noite no Loki Hostel Cusco
Primeira noite no Loki Hostel Cusco

Nos apresentamos, sentamos na mesa para beber, e nisso já tinham pessoas de outros lugares do mundo ali conosco, conversando, rindo e se divertindo. Eram franceses, italianos, iraquianos, bolivianos, americanos…Em especial conheci três pessoas que foram essenciais no meu caminho e que também viajavam sozinhas, dentre elas Renan e Bianca. Ele do Rio e ela de São Paulo. A Bianca, aliás, estava namorando, mas como o namorado não podia ir por falta de disponibilidade, ela foi assim mesmo e achei super legal a relação dos dois e a coragem dela.

Conversando com Bianca sobre a ida a Machu Pichu, descobri que ela ainda iria fazer o passeio e então fizemos tudo juntas, compramos o pacote turístico no centro de Cusco e partimos no outro dia para a Cidade Perdida. Foram mais de 14 horas de viagem ida e volta e três dias  nessa jornada. Ao invés de trem, optamos por andar cerca de 3h até Águas Calientes, cidade que dá acesso à Machu Pichu. Foi minha melhor escolha, porque, além de ser bem mais barato, a caminhada em meio a árvores, riachos e trilhos de trem descarregou qualquer sentimento ruim que ainda restava dentro de mim.

Caminhada até Águas Calientes
Caminhada até Águas Calientes

E quando finalmente cheguei à Cidade Perdida dos Incas, meu amigo… aí sim tomei pra mim todas as energias positivas que aquele lugar tem o poder de transmitir. E como é especial estar ali e sentir toda aquela monstruosidade da natureza e da mente humana. Você e seus problemas ficam sim, muito pequenos.

A cara da felicidade
A cara da felicidade em Machu Pichu

De volta a Cusco, meu próximo destino marcava Copacabana, na Bolívia, onde iria conhecer o Titicaca, o lago navegável mais alto do mundo. Mal podia esperar. A essa altura da viagem, eu já estava com o espírito irradiante por querer explorar do que viesse na minha frente, mesmo que no caminho não aparecesse ninguém para compartilhar o que eu viveria. Mas não deu outra. Além do lago, conheci a Isla del Sol, uma pequena ilha, que mal tem energia elétrica, rodeada pelo Titicaca, com um grupo de estudantes Colombianos muito simpáticos, que fizeram do percurso mais feliz.

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Na lancha com os colegas Colombianos percorrendo o lago Titicaca

Meu próximo destino: La Paz. Me vi sozinha mais uma vez, mas encarei e fui. Como estava bastante frio, fiquei gripada e preocupada que a gripe piorasse, evoluísse para uma febre. Não podia fica doente! então perguntei para a mulher ao meu lado no ônibus, uma boliviana,  como poderia ser medicada em La Paz, e ela muito solícita me informou os remédios que poderia tomar, aonde encontrava e me indicou até o posto de saúde caso precisasse. Não precisei, mas me senti segura naquele momento.

O hostel escolhido dessa vez foi o Wild Rover La Paz, conhecido por ser bem louco, e era justamente isso que eu estava procurando. Me jogar mais uma vez em um ambiente com muita gente animada. Reservei um quarto de 5 camas, só de mulheres. Por estar viajando sozinha pela primeira vez optei por reservar quartos só com mulheres para me sentir mais segura e deu super certo, além de fazer amizades. Foi chegar no quarto para já conhecer as meninas, 2 brasileiras dentre elas, e o ambiente ficar descontraído. Todas se apresentaram, disseram seus planos e marcamos de tomar uma no bar do hostel. Amo esse tipo de hospedagem por isso.

Foi bar do hostel que pude comprovar a fama do local, rs.

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Ops. La gente esta muy loca, Jonny. Wild Rover La Paz

No dia seguinte, com meu mapa da cidade em mãos, combinei de encontrar uma das meninas do quarto em um Free Walking Tour, que são passeios comuns em cidades turísticas, onde você paga o que sentir confortável para pagar, ao final do passeio. Vale super a pena. Mas antes, fui sozinha mesmo conhecer a cidade. Um dos passeios mais bacanas foi andar no teleférico de La Paz, um dos meios de transporte da população, já que o trânsito por terra é bem caótico.

Na manhã seguinte parti para Uyuni para conhecer o maior deserto de sal da terra. Uma coisa impressionante. Chegando na cidade e na agência para comprar o passeio fiz amizade com argentinos e uruguaios com quem eu iria conhecer o destino. Um carro tipo jeap iria nos levar em um passeio que poderia durar três ou um dia. A minha ideia inicial era pegar o passeio de três dias e logo depois ir para o Atacama, no Chile, onde terminaria minha viagem. Mas quando se está sozinho, quem faz seu caminho é você mesmo, você decide. Então optei por pegar o passeio de apenas um dia no Salar de Uyuni.

Salar de Uyuni com os hermanos
Salar de Uyuni com os hermanos

Isso porque conversando pelo whatsapp com amigos que havia feito em Cusco, logo nos primeiros dias da viagem, eles me disseram que estavam em Lima e que a cidade era incrível. “Por que não vem pra cá?” E eu pensei, “porque não?!” E fui. Terminei minha viagem de uma forma inesperada mas melhor que imaginei. Lima me marcou positivamente principalmente pela culinária (ceviches e outros pratos com frutos do mar ma-ra-vi-lho-sos), mas o melhor foi a pequena viagem que fizemos para Paracas, uma cidade perto da capital peruana, litorânea, cheia de natureza e bem hippie. Lá conheci as Islas Ballestas num passeio incrível de lancha onde se podia ver uma diversidade de fauna aquática incrível. E as praias? uma das mais lindas que já estive, rodeadas por um deserto igualmente impactante.

O deserto de Paracas envolvendo uma das praias
O deserto de Paracas envolvendo uma das praias
Islas Ballestas
Islas Ballestas

Depois de 15 dias bem vividos e viajados, voltar para minha vida real só foi um detalhe que experimentei da melhor maneira. Eu estava leve, com espírito tranquilo e principalmente, feliz. Parecia que nenhum problema fosse tão grande que não pudesse ser resolvido facilmente. Para viajar sozinho basta querer e estar com a mente aberta e receptiva a fazer encontros. Encontros com os outros, mas principalmente com você mesmo. Às vezes tudo que a gente precisa é de um momento só nosso, experimentar estar só, se colocar à prova do que a gente teme ser capaz em fazer, com coragem e confiança de que tudo vai dar certo. Porque vai. E ai? Se joga!

 

 

21 comentários em “A delícia de viajar sozinha e não se sentir só

  1. Parabéns pela atitude e coragem de fazer essa viagem, adorei seu texto, so de ler passou tanta coisa pela minha cabeça, lembranças da minha viagem nesse roteiro tambem, e da viagem que pretendo fazer essa semana novamente pra La Paz…
    Obrigado por compartilhar sua experiencia, show!

  2. Experiência maravilhosa, com fotos lindas, e lugares deslumbrantes ! Adorei o post é super animei para fazer minha viagem também :)

  3. Que sensacional!!!!! É isso aí. Uma vibe legal depende da própria pessoa. Se depender dos outros para sermos felizes estaremos fritos.

  4. Muito legal. Parabéns pela coragem e obrigada pela inspiração.
    Estou pensando em fazer o mesmo roteiro em janeiro ou fevereiro, e sozinha! Vamos ver no que dá haha bja

    1. Obrigada Jessica! Lega, vai mesmo! eu vou postar daqui a pouco o roteiro que fiz em detalhes, acho que pode te ajudar mais. bjs

  5. Deu pra sentir a sua leveza so de ler o relato, você entrou nessa de mente aberta, por isso tudo saiu tão incrível, parabéns. Com certeza serviu de motivação.

    grande abraço.

  6. Sensacional, pareja!! Amei o relato, a viagem, o blog… Vc tá de parabéns!
    Me fez lembrar nossas viagens, nosso mochilão.. Tenho muitas saudades de tudo isso, até dos perrengues que passamos! Rs
    Quero muito fazer essa trip que vc fez um dia e se não tiver cia vou sola como vc! Voltamos de Sevilla cheia de planos de viagens e fico muito feliz de vc tá colocando em prática.. Afinal viajar é enriquecer o espírito e perceber que nossos problemas são muito pequenos perto da imensidão e beleza do mundo! Saudades de vc!

    1. Lari parejaaa.. que saudade de vc tb!! =( pois é, nossa.. lendo isso me deu mais saudade ainda do nosso intercâmbio.. como foi maravilhoso ne?? eu estou pondo em prática e você deveria fazer o mesmo! vai viajar de novo hehehe! obrigada e continue acompanhando.., vou postar o roteiro que fiz!! beijosss

  7. Fantástico !! Estou em busca de uma viagem semelhantes, acho que todos temos que ter uma experiência dessas pelo menos uma vez na vida !!

  8. Oi Laís, que maravilha de roteiro, farei minha 1a viagem sozinha agora em abril, e tomarei teu roteiro por base, gostaria muito de ver com você dicas sobre como levar dinheiro( dólares, real, moeda local) ..e ter ideia de custo desses 15 dias, de quanto devo levar …poderias né dar uma ideia? Bus!!!!

    1. Olá Lourdes! Que bom que está prestes a fazer sua primeira viagem sozinha. Vai dar tudo certo!
      Eu te aconselho a levar dólares do Brasil e ir trocando durante a viagem. Até porque nesses lugares muitos dos passeios você pode comprar em dólar. O quanto levar depende muito, eu procurava gastar o mínimo possível com alimentação e passeios.. Acho que mil reais para 15 dias são suficientes (tirando os gastos com hospedagem)..
      Espero ter ajudado!
      Boa viagem!

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